Já ouviu falar de
PLE ou APA? Solto assim, possivelmente, não!
Mas talvez tenha
ouvido falar de Personal Learning Environment (PLE) ou, em nosso bom e velho
Português, de Ambiente Pessoal de Aprendizagem (APA).
E O QUE É UM PLE ou
APA?
Segundo o JISC
(Joint Information Systems Committee) do Reino Unido PLE é "o conjunto de
ferramentas, recursos, fontes de informação, conexões e atividades que apoiam o
aprendizado independente e autodirigido", já Stephen Downes define o PLE
como "um ambiente que suporta o processo de aprendizagem pessoal,
permitindo que o aluno gerencie e controle seu próprio aprendizado", enquanto
Vanessa Dennen, professora de Educação e Tecnologia da Universidade Estadual da
Flórida, define PLE como "o conjunto de recursos, ferramentas e conexões
que uma pessoa usa para suportar sua própria aprendizagem".
O termo Personal
Learning Environment (PLE) foi cunhado pela primeira vez em 2004 por James
Dalziel, professor da Universidade de Tecnologia de Sydney, Austrália e o termo
Ambiente Pessoal de Aprendizagem (APA) surgiu como uma evolução do conceito de
Personal Learning Environment (PLE) na literatura acadêmica.
Embora a ideia de
que cada indivíduo deve ser capaz de personalizar seu próprio ambiente de
aprendizagem tenha sido proposta inicialmente por James Dalziel em 2004, o
termo PLE não foi amplamente adotado até alguns anos depois.
À medida que o uso
de tecnologias digitais se tornou mais comum e acessível, a ideia de um
ambiente pessoal de aprendizagem evoluiu para se tornar um conjunto mais amplo
de recursos, ferramentas e conexões disponíveis para um indivíduo para apoiar
seu próprio processo de aprendizagem.
O termo Ambiente
Pessoal de Aprendizagem foi usado pela primeira vez em 2009, em uma tese de
doutorado para descrever o conjunto de recursos, tecnologias e conexões usadas
por um indivíduo para apoiar sua própria aprendizagem.
Desde então, o termo APA tem sido amplamente adotado na literatura acadêmica e é frequentemente usado de forma intercambiável com o termo PLE para descrever o conjunto de recursos, ferramentas e conexões usadas por um indivíduo para apoiar seu próprio processo de aprendizagem.
A seguir apresento duas obras que podem nos ajudar a compreender melhor o PLE- Personal Learning Environment!
1. Personal Learning Environments: Concept or Technology

FIELDLER, S.; VÄLJATAGA, T. Personal Learning Environments: Concept or Technology. Journal of e-Learning and Knowledge Society, [S.l.], v. 2, n. 1, p. 27-38, mar. 2006. ISSN 1826-6223. Disponível em: https://pleconference.citilab.eu/wp-content/uploads/2010/07/ple2010_submission_45.pdf. Acesso em: 23 mar. 2023.
Clicou no link e viu que o texto é em inglês e já pensou que não vai conseguir, porque “seu inglês” não está em um nível tão bom!!! Não se desespere, é possível! Vamos usar a tecnologia a nosso favor!!!
Sugiro que instale o LENS no seu celular, fotografe o texto e clique em traduzir. Ao traduzir, clique em ouvir. Ouça em Português e veja o texto em inglês, assim você vai aproveitar para atualizar o “seu inglês”!
E agora, para complementar, vou tecer alguns comentários sobre o artigo!!!
O texto
"Personal Learning Environments: Concept or Technology" de Sebastian
Fieldler e Terje Väljataga discute a natureza dos Ambientes de Aprendizagem
Pessoais (Personal Learning Environments - PLEs), explorando se o PLE é mais um
conceito ou uma tecnologia. O texto analisa a definição de PLEs e como eles
podem ser criados e gerenciados. Os autores também discutem a relação entre
PLEs e outras tecnologias educacionais, como Ambientes Virtuais de Aprendizagem
(Learning Management Systems - LMS) e a Web 2.0. O objetivo do artigo é
fornecer uma análise crítica dos PLEs e sua relação com outras tecnologias
educacionais, a fim de ajudar os educadores a entender como os PLEs podem ser
usados para apoiar a aprendizagem personalizada.
Eles argumentam que,
embora o termo PLE seja frequentemente usado para se referir a ferramentas
tecnológicas, ele na verdade se refere a um conceito mais amplo de aprendizagem
personalizada, que pode incluir ferramentas digitais, mas não se limita a elas.
Os autores destacam
que, devido à evolução da tecnologia, as pessoas agora têm mais opções do que
nunca para criar seus próprios ambientes de aprendizagem, que podem incluir
ferramentas digitais como blogs, wikis, redes sociais, fóruns, entre outros. No
entanto, eles argumentam que o PLE também pode incluir recursos não digitais,
como livros, anotações pessoais, conversas com colegas e outras fontes de
informação.
Em resumo, os
autores argumentam que o conceito de PLE é mais amplo do que apenas tecnologia
e inclui a ideia de que as pessoas podem criar seu próprio ambiente de
aprendizagem personalizado, com base em suas necessidades, preferências e
objetivos de aprendizagem.
No final do artigo quando
os autores afirmam "to
gain awareness and control over a range of intentional learning activities and
their environments, and eventually their overall development as personal
(adult) learner living in (and not only with) the digital realm",
eles estão argumentando que os Ambientes Pessoais de Aprendizagem (PLEs) são
importantes porque permitem que os aprendizes adultos ganhem consciência e
controle sobre suas atividades de aprendizagem intencionais e os ambientes em
que ocorrem. Além disso, eles afirmam que o desenvolvimento geral do aprendiz
como pessoa no mundo digital é essencial.
Isso significa que
os PLEs permitem que os aprendizes adultos personalizem sua experiência de
aprendizagem de acordo com suas necessidades e objetivos individuais, em vez de
serem limitados por um ambiente de aprendizagem padronizado. Ao usar um PLE, os
aprendizes adultos podem selecionar e gerenciar uma ampla variedade de recursos
de aprendizagem, incluindo tecnologias digitais e recursos não digitais, para
construir seu próprio ambiente de aprendizagem personalizado.
Em resumo, os
autores concluem que os PLEs são importantes porque permitem que os aprendizes
adultos tenham controle sobre sua própria aprendizagem e desenvolvimento
pessoal, capacitando-os a serem aprendizes eficazes e independentes no mundo
digital.
2. Aprender ao longo da vida através de ambientes pessoais de aprendizagem
Procaci, T.B., Siqueira, S.W.M., & Nunes, B.P. (2021, julho 29). Aprender ao longo da vida através de ambientes pessoais de aprendizagem. O que pensa de aprender ao longo da vida? [Blog post]. Disponível em:
O post
"Aprender ao longo da vida através de ambientes pessoais de
aprendizagem" trata do conceito de "ambientes pessoais de
aprendizagem" (APA) e de como essa abordagem pode ajudar na aprendizagem
ao longo da vida, ou seja, em um processo de aprendizagem contínuo que ocorre
ao longo de toda a vida adulta. O post discute como as tecnologias digitais e
as ferramentas da Web 2.0 podem ser usadas para criar APA (Ambiente Pessoal de
Aprendizagem) e como essa abordagem pode promover a autonomia do aprendizado,
permitindo que os indivíduos personalizem seu próprio ambiente de aprendizado
para atender às suas necessidades e interesses específicos.
Os autores fazem ainda
uma revisão da literatura sobre aprendizagem ao longo da vida e discutem a
evolução dos sistemas de aprendizagem, desde os métodos tradicionais de
educação até os modernos sistemas de aprendizagem baseados em tecnologia,
mostrando seu ponto de vista de que, na realidade, a perspectiva tecnológica (PLE visto como
artefato tecnológico) e perspectiva educacional (PLE focado na autonomia do
estudante) se complementam, sendo fundamental que as instituições de ensino
formal preparem seus alunos para a aprendizagem ao longo da vida.
O artigo aborda também as características e os elementos de um PLE, bem como as vantagens e
desafios do uso de PLEs para a aprendizagem ao longo da vida. Considerando a
perspectiva tecnológica, os autores apresentam os desafios tecnológicos para a
construção do APA (Ambiente Pessoal de Aprendizagem):
- Conexão de informações e pessoas (interoperabilidade/ confiabilidade/ como promover o engajamento de pessoas para aprendizagem mútua)
- Organização da informação (pré-classificação de assuntos em categorias/ efeito controverso = formação de bolhas de informação/ customização do PLE)
- Análises Educacionais (Learning Analytics) que seriam “maneiras indiretas para captar se o estudante está em um bom caminho rumo à aprendizagem”.
Considerando a
perspectiva educacional, os autores apresentam os desafios pedagógicos para a
construção do APA, mostrando aspectos relacionados à aprendizagem colaborativa,
à pedagogia da autonomia e às teorias social construtivista e conectivista.
Os autores também
apresentam casos de estudo de PLEs em diferentes contextos educacionais,
listando as ferramentas SymbalooEDU, DIIGP e Pearltress e discutem a
importância da personalização do aprendizado por meio dos PLEs.
O objetivo do post é
fornecer, em uma linguagem acessível, uma análise crítica sobre os PLEs e como eles
podem ser usados para apoiar a aprendizagem ao longo da vida, a fim de ajudar
educadores, estudantes e profissionais a entender o papel dos PLEs no processo
de aprendizagem e na formação de competências.
E para completar, você ainda vai poder assistir a um vídeo (gravado em 2017, é verdade, mas extremamente atual) sobre o assunto com um dos autores do post:





1 Comentários
Oi Sônia! Muito obrigada por este artigo! Os PLEs ainda são pouco explorados e eu concordo que é "fundamental que as instituições de ensino formal preparem seus alunos para a aprendizagem ao longo da vida". Também falei sobre a necessidade de aprendizagem ao longo da vida e de como os PLEs podem nos ajudar no processo. Estou bem contente de trabalharmos este assundo durante o semestre, pois é preciso explorar e popularizar essa ideia, né?
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